BOAS VINDAS

A idéia deste blog é a criação de um espaço para o questionamento de duas grandes forças das ideologias atuais: o Capitalismo e o Socialismo. Que, senão são coincidentes,não são também totalmente opostas. Terceira Via é nada menos do que uma Resultante dessas duas forças. Abrindo assim, um campo para o existência de uma opção, que não é uma coisa nem outra e ao mesmo tempo são as duas coisas. Eu acredito muito nessa vertente, como alternativa para convergir anseios de ambas as correntes. Num olhar metodológico, poderiamos enxergar essa possibilidade como uma demonstração empírica da dialética. Enquanto o Capitalismo está mais associado ao racional, à eficiência, à lógica; o Socialismo está mais associado ao nosso cognitivo, à sensibilidade, sentimentos, percepções, etc. Acredito ainda, que só a Democracia viabiliza essa vertente. A Ditadura, sem dúvida, enviesará para o socialismo ou para o capitalismo radical. ENTÃO SEJA BEM VINDO, COLOCANDO SUA CONTRIBUIÇÕES, SUAS IDÉIAS, SUAS DÚVIDAS, ETC. (Paulo Franco)

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Em muitos países civilizados, os condutores da Lava Jato estariam presos, diz Desembargador

Por Marco Weissheimer


O discurso emocionado feito pelo desembargador Lédio Rosa de Andrade, magistrado no Tribunal de Justiça de Santa Cataria, na sessão fúnebre em homenagem ao reitor Luiz Carlos Cancellier, ganhou repercussão nacional ao denunciar a implantação de uma ditadura no Brasil e a ameaça do retorno do fascismo no país. Em sua fala, o desembargador fez, ao mesmo tempo, um alerta e uma convocação para enfrentar essa ameaça: “Esta noite fiquei a pensar quando a humanidade errou e não parou Hitler no momento certo, quando a humanidade errou e não parou Mussolini no momento certo… Eles estão de volta. Será que vamos errar de novo e vamos deixá-los tomar o poder? A democracia não permite descanso. Eles [os fascistas] estão de volta. Temos que pará-los”.

Desembargador Lédio Rosa de Andrade: “Estão sendo feitas verdadeiras barbaridades sob
o ponto de vista jurídico”. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Passados pouco mais de dois meses do trágico suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, a Polícia Federal segue realizando operações em universidades públicas, como ocorreu na semana passada na Federal de Minas Gerais e na própria UFSC, mais uma vez. “Não há dúvida de que existe um planejamento para atacar as universidades. A gente não sabe ainda até que ponto esse planejamento é consubstanciado em provas de uma série de crimes dentro da universidade ou é um planejamento para destruir a universidade”, diz Lédio Rosa de Andrade, em entrevista ao Sul21.

“Aliás”, acrescenta o desembargador, “a gente não sabe nem o que é a Lava Jato mesmo. Temos apenas hipóteses. O que se sabe é que há processos muito bem estruturados pela Polícia Federal para atacar a universidade”. No Brasil, afirma ainda o magistrado, “estão sendo feitas verdadeiras barbaridades sob o ponto de vista jurídico e das conquistas civilizatórias em termos de Estado democrático de Direito, com a complacência dos tribunais superiores. Considerando o que está sendo feito na Lava Jato, em muitos países civilizados do mundo, os condutores estariam presos por ofensa à ordem democrática”.


Sul21: Após a morte trágica do reitor Luiz Carlos Cancellier foram tomadas algumas iniciativas para apurar as circunstâncias em que ela ocorreu e a responsabilidade de autoridades envolvidas no caso. Qual o estágio atual dessas apurações?

Lédio Rosa de Andrade: A situação, na minha ótica, é horrível. Neste exato momento em que estou falando contigo [dia 7 de dezembro, quinta-feira], a Polícia Federal invadiu novamente a nossa universidade. Estamos vivendo, efetivamente, a volta de uma ditadura, diferente da de 64, mas uma ditadura. Não tem outra palavra para definir o que está acontecendo. Estão utilizando uma interpretação totalmente afrontosa à legislação penal para, coercitivamente, levar pessoas que nunca foram intimadas a depor em lugar nenhum. A lei é clara. Você só pode levar alguém em uma condução coercitiva se essa pessoa se nega a depor. A partir da Lava Jato a interpretação é de que o juiz pode mandar levar alguém em condução coercitiva ou prender e pronto.

Estão fazendo isso como prática corriqueira. Eu não posso negar que seja possível a existência de crimes dentro da universidade. Onde há seres humanos, evidentemente, podem ocorrer crimes. Agora, a forma como estão agindo, deliberadamente ostensiva e violenta, não tem justificativa na história de qualquer estado democrático de direito em qualquer parte deste planeta.

Sul21: Esta nova ação da Polícia Federal na UFSC se refere ao mesmo caso da anterior?

Lédio Rosa de Andrade: Hoje (7), a gente não sabe exatamente. Pelo que li na imprensa, a polícia declarou que não tem relação com o outro processo.

Sul21: Chama a atenção que ela ocorreu um dia depois de outra ação da Polícia Federal na Universidade Federal de Minas Gerais…

Lédio Rosa de Andrade: Não há dúvida de que existe um planejamento para atacar as universidades. A gente não sabe ainda até que ponto esse planejamento é consubstanciado em provas de uma série de crimes dentro da universidade ou é um planejamento para destruir a universidade. No Brasil, lamentavelmente, essas coisas ocorrem. Nós não sabemos o que está acontecendo. Aliás, a gente não sabe nem o que é a Lava Jato mesmo. Temos apenas hipóteses. O que se sabe é que há processos muito bem estruturados pela Polícia Federal para atacar a universidade. Vamos esperar para ver se esse ataque é justificável ou não.

“O Supremo e o STJ estão avalizando
práticas de primeiro grau que,
evidentemente, são práticas ilegais”.
(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Sul21: O senhor tem uma hipótese que considera mais plausível acerca da natureza da Lava Jato?

Lédio Rosa de Andrade: Não tenho. Não consegui até hoje compreender isso com clareza. Não gosto de fazer hipóteses sem um mínimo de fundamento. Não consegui ainda ver um fundamento concreto que explique o que está acontecendo. O que vejo é que as coisas estão acontecendo de forma errada. Considerando o que está sendo feito na Lava Jato, em muitos países civilizados do mundo, os condutores estariam presos por ofensa à ordem democrática. No Brasil, estão sendo feitas verdadeiras barbaridades sob o ponto de vista jurídico e das conquistas civilizatórias em termos de Estado democrático de Direito, com a complacência dos tribunais superiores. O Supremo e o STJ estão avalizando práticas de primeiro grau que, evidentemente, são práticas ilegais. Isso eu não consigo entender.

Sul21: O reitor da Universidade Federal do Paraná escreveu um artigo na semana passada lembrando que, em um ano, quatro das maiores universidades federais do país foram alvo de operações da Polícia Federal com agentes fortemente armados e grande repercussão midiática. Isso não parece ser uma coincidência…

Lédio Rosa de Andrade: Tudo indica que não é. Chama a atenção a forma como essas operações vêm sendo feitas, com policiais mascarados. Essas são situações incompatíveis com uma universidade. Por mais que a polícia tenha que usar máscaras para algumas coisas com o objetivo de salvaguardar o policial, nós estamos falando da universidade. Não é preciso invadir a universidade com policiais mascarados. Não precisa nada disso. Efetivamente, são coisas planejadas com o intuito muito claro de agredir a universidade, que é o que está acontecendo.

Sul21: Na sua fala em homenagem ao reitor Cancellier, o senhor disse que nós estaríamos vivendo a pior das ditaduras. Em que sentido essa seria a pior das ditaduras?

Lédio Rosa de Andrade: Todas as ditaduras são ruins. Não tem ditadura boa e ditadura ruim. Usei o termo “pior” no sentido das dificuldades para combatê-la. Quando uma ditadura é ostensiva, como as ditaduras militares que tivemos na América Latina ou ditaduras comunistas, onde o Estado é o agressor direto e visível, você sabe que ali tem um inimigo e a tendência é você se organizar para combater a violência ilegítima do Estado. Agora, quando a ditadura vem travestida de justiça, como se estivesse fazendo o bem e não o mal, para a maioria leva mais tempo para cair a ficha. Ela perdura um tempo como algo bom e legitimado. Uma ditadura que consegue, através de um discurso falso, de um discurso ideológico alienante e enganador, ter a complacência e até o aplauso da população é uma ditadura que não será combatida até que as pessoas se dêem conta de que foram enganadas. Por isso que eu digo que ela é pior. Está travestida de bondade, quando, na verdade, é pura maldade.

Sul21: Como integrante do Judiciário e professor de Criminologia na UFSC, qual a sua avaliação sobre o papel que o poder Judiciário vem desempenhando em todo esse processo? A maioria desse poder apoia as práticas que estamos vendo ou há uma disputa mais ou menos equilibrada dentro dele?

Lédio Rosa de Andrade: O que tenho dito, onde tenho tido espaço para me manifestar, é que o Judiciário, apesar de ser extremamente conservador e reacionário em alguns casos, ainda não tem uma maioria que compactua com os desrespeitos ao Estado Democrático de Direito. O que é assustador é que maioria do Judiciário está absolutamente silenciosa. O que está fazendo com que as pessoas se mantenham caladas assistindo a todas essas barbaridades que estamos vendo. Isso é difícil de entender. Eu não diria que a maioria dos integrantes do Judiciário tem uma postura ideológica fascista, como são fascistas essas práticas sobre as quais estamos conversando. Apesar de conservador, o poder Judiciário não tem uma maioria de membros fascistas. Ele tem uma maioria de membros conservadores, isso sim.

Sul21: Como o senhor definiria o papel que o Supremo Tribunal Federal vem desempenhando nesta conjuntura?

Lédio Rosa de Andrade: Na minha opinião, o Supremo está deixando escapar, inclusive simbolicamente, o resguardo irrestrito do sistema constitucional. No momento em que avaliza práticas que afrontam o Estado Democrático de Direito, como permitir a prisão das pessoas sem trânsito em julgado, em nome da agilidade da Justiça. Isso afronta a Constituição claramente. Não só isso. No momento em que o Supremo fica inerte diante do desrespeito de suas próprias decisões como, por exemplo, a súmula 11, que proíbe o uso de algemas salvo em situações onde a pessoa realmente represente perigo. Hoje, a polícia vai na universidade, usa a condução coercitiva de forma ilegal e o Supremo fica inerte, assistindo tudo isso pela televisão . Com isso, ele perde a sua capacidade de ser o guia brasileiro do respeito ao Estado Democrático de Direito.

Sul21: Na sua fala em homenagem ao reitor, o senhor também fez um alerta e uma convocação sobre a necessidade de lutar para enfrentar o retorno do fascismo no Brasil. Saindo da esfera exclusiva do Judiciário, na sua visão, como essas práticas fascistas estão se manifestando na sociedade?

Na homenagem ao reitor da UFSC, desembargador alertou para o retorno da ameaça fascista no Brasil. (Foto: Reprodução/Youtube)

Lédio Rosa de Andrade: O tema sobre o qual estamos falando é de grande complexidade. Para entendê-lo, é preciso ir passo a passo. Todo o Estado que passa por um processo de crise e que possui uma estrutura sociopolítica injusta, cria na população determinados devaneios que são até justificáveis em certa medida. A população que está submetida a uma estrutura injusta de vida, que passa fome e necessidades materiais básicas, ela acredita em qualquer coisa para enfrentar essa situação de penúria. Os valores do Estado Democrático de Direito não fazem parte da vida cotidiana de milhões de pessoas que vivem nas periferias. Essas pessoas não usufruem materialmente dos benefícios do Estado Democrático de Direito que garante os direitos individuais das pessoas incluídas. Já as pessoas excluídas não possuem, na democracia, um valor de vida e trocam com muita facilidade qualquer valor democrático por segurança e trabalho.

Se vem um aventureiro, que tem por trás dele toda uma estrutura fascista de modo vida mas promete segurança e trabalho, as pessoas aceitam isso. Elas não estão preocupadas em preservar os valores da democracia porque estão passando necessidades básicas mesmo. Eu não posso falar mal das pessoas que vivem nestas condições. Nós não passamos fome, vendo os filhos chorar por que não tem o que comer. O Brasil atravessa uma forte crise de injustiça social, que perdura por anos, e a população está aceitando, no âmbito político, propostas que sacrificam a democracia, prometendo algo que não vão cumprir.

Sul21: O senhor viveu o golpe e a ditadura que se instalou em 64. Há alguma comparação que se possa fazer entre o que aconteceu naquela época e o que estamos vendo hoje?

Lédio Rosa de Andrade: Uma das principais diferenças é a conjuntura internacional. A ditadura de 64 foi estabelecida no contexto da guerra fria com evidente patrocínio norte-americano. Foi um projeto mundial do sistema capitalista que foi implantando ditaduras nos países periféricos. Isso não existe mais com essas características. Mas o espírito fascista nunca acabou. Seguem existindo pessoas com pensamento autoritário que não convivem no seu cotidiano com os pressupostos do Estado Democrático de Direito. Isso segue vivo e está ameaçando voltar.

Sempre me preocupei mais com o cotidiano das pessoas do que com as teorias. Estas, muitas vezes não dão certo porque não levam em conta que, lá na ponta, estão seres humanos que vão agir ou não conforme a teoria. Milhares de pessoas têm uma estrutura de pensamento que é fascista mesmo. O ser humano, psiquicamente, se dá muito bem com a violência, gosta dela e a pratica com prazer. Estamos sempre convivendo com isso.

Sul21: Em 2018, em tese, teremos eleições. Considerando que elas ocorram numa situação de legalidade, em que medida, na sua opinião, elas podem levar a uma superação da atual crise política?

Lédio Rosa de Andrade: O sistema representativo da democracia ocidental nem sempre é uma garantia de mudança. O sistema eleitoral, para que tenha condições de mudanças, necessita de uma população que tenha condições materiais de decidir. Uma coisa é o que acontece na Islândia, por exemplo, onde o povo vai para a rua, derruba governo, impede o pagamento da dívida resultante da exploração do sistema financeiro e colocam uma jovem feminista para governar o país. Eles têm condições, sem rupturas maiores, de mudar o país por meio do sistema representativo.

Não acredito que o Brasil tenha condições de fazer isso. Obviamente não estou defendendo o fim do sistema representativo e das eleições, mas precisamos evoluir para que o nosso sistema representativo funcione de maneira onde as pessoas, de fato, tenham condições materiais, de conhecimento e de educação básica mínima para raciocinar e poder tomar uma decisão política sobre o que é melhor para o país. Se mantivermos um processo eleitoral marcado pela enganação, pelo engodo e falsas promessas, onde o dinheiro é o principal motor, não temos como esperar grandes mudanças.

Sul21: Passados pouco mais de dois meses da tragédia envolvendo o reitor Cancellier, qual é o clima dentro da UFSC?

Lédio Rosa de Andrade: Foi muito difícil fechar o semestre. As pessoas estavam muito abatidas em um ambiente de tristeza e desânimo totalmente distinto da história da universidade. Foi um semestre muito difícil. Agora, estamos em um momento de provas finais e de término de atividades. Muitos dos professores terminaram as aulas mais cedo. Eu fui um deles. Não tinha mais condições nem ambiente para seguir as aulas. Eu diria que ainda estamos vivendo um momento de forte impacto, onde não se sabe bem o que vai acontecer.
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FONTE: Sul21

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Como Estado fascista está a serviço do desmonte da universidade laica

Por Luiz Carlos Bolzan



O Estado autoritário morista faz escola.

Neste 06/11/17, sem intimação prévia, representantes da UFMG foram alvos de condução coercitiva por parte da PF.

O mandato expedido pelo Judiciário foi solicitado pela Polícia Federal e executado pela própria PF.

Integrantes de uma fausta burocracia aristocrática, junto com, MPs, TCU e CGU, que se apropriou de assalto do Estado brasileiro, recebendo alguns inclusive, acima do teto constitucional, outros tendo 2 meses de férias por ano, outros ainda praticamente inimputáveis, apenas com penas de “aposentadoria”, sendo desejado este mesmo status por outras burocracias que se dizem “combatentes do crime”.


Há ainda entre estes, aqueles que reclamam direito sobre parte do butim da corrupção, um percentual do valor recuperado para ser usado sem nenhum controle ou fiscalização, e ainda alguns que usufruem do “direito” a abusivas “bolsas” para estudos seus, e de seus dependentes, para moradia, para alimentação, para viagens, etc, etc, etc.

A burocracia que não sabe diferenciar Hegel de Engels, que ao desdenhar da necessidade de provas transforma o direito em teologia para qual basta convicção e fé, que acelera descaradamente processos contra desafetos e senta sobre processos de apaniguados, é a “face dura do mal”.

Ela confraterniza escancaradamente com réus em regabofes de endinheirados se deixando fotografar ao pé do ouvido de chefes de quadrilhas, que pedem malas de dinheiros com agentes que “possam matar”, garantidora do golpe contra a sociedade civil, em especial trabalhadores assalariados, aposentados, trabalhadores com emprego informal, pequenos agricultores e desempregados.

Esta mesma burocracia cabeça de planilha decoradora de normas, que faz acordos ilegais com autoridades do exterior e acena em fugir do país sobre pretexto de estudar, caso seja desmascarada, é a que, despudoradamente, pede que o Poder Executivo tomado de corruptos e réus em processos, interfira no Supremo Tribunal Federal numa clara alusão à prática de impedir à justiça seu livre curso.

A burocracia nefasta sempre pronta a trair trabalhadores, desde que o capital garanta suas regalias, cega para helicópteros de cocaína, já ultrapassou a etapa de ser uma ameaça à democracia e aos direitos civis e sociais.

Se constitui numa abjeta realidade usurpadora e autoritária, custeada integralmente pela mesma sociedade civil à qual ela desrespeita e trai.

As exceções que integram este seleto corpo de burocratas chupins do dinheiro público, apenas confirmam a regra.

O Estado burguês é a fonte da corrupção, e não a solução.

“O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente”.

Inebriada pelo poder que corrompe, a burocracia usa da força do Estado autoritário, sem freios, para impor suas vontades e convicções.

E a visão de mundo do autoritarismo estatal?

“Combater a corrupção e impunidade, dos outros, e defender a corporação acima de tudo”.

As exceções apenas confirmam a regra, visto que esta burocracia fanática atenta até mesmo contra integrantes da corporação, desde que eles denunciem o golpismo fascista, se assemelhando ao autoritarismo corporativo cientológico.

Não é novo. Talvez desconhecido.

Em tempos de internet e redes sociais, TVs e shows de voyeurismo e pancadaria travestida de esporte, muito pouco se recupera do que já foi dito muitos anos atrás.

Marx chamou atenção para o papel da burocracia que, ao lado das corporações privadas traçam planos e jogos para manter status quo, usando máquina estatal sempre em benefício do capital e de si próprios, parasitas estatais à serviço da “ordem” instituída, contra a sociedade civil, em especial a classe trabalhadora.

E não foi uma vez apenas.

Os alertas de Marx surgem explicitamente nos textos “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” (Hegel, por favor, Hegel!!), e Guerra Civil na França.

Marx não poupa críticas à máquina estatal burguesa, já em 1843, e depois em 1871.

Quase 175 anos depois do primeiro alerta de Marx, a sanha traidora segue com conluio entre burocracia de altos salários e corporações privadas.

Tacla Durán que o diga para quem quiser ouvir, mas não vem ao caso…

Aliás, nos perguntamos, qual a diferença entre quem corrompe com a força do dinheiro e quem corrompe com a força autoritária do Estado incontrolável, que desrespeita contrato social, porque “a literatura me permite”, ou porque “combatemos a corrupção”?

Apenas a forma de corromper e ser corrompido, pois a prática é a mesma, corrupção, doença social que deforma, deturpa e aliena.

Fácil entender o desdém pela filosofia, onde encontramos, dentre outros, Hegel e Engels.

É na filosofia que podemos desnudar em detalhes, a farsa da ética do Estado policialesco morista.

Ética da hipocrisia e estética embrutecida, escarnecedora, que finge não ter diferenças entre tratamentos dispensados às diferentes partes, mas que faz da perseguição aos discordantes sua constante, e da proteção aos interesses seus e dos aliados, seu imperativo categórico.

Afinal, porque barrar nomeação ao Supremo de candidato que se reuniu com políticos réus em barco no lago brasiliense?

Ou por que apurar morte de ministro do STF, então relator da lava jato e que admoestou publicamente juiz que vazou conversas da então presidenta da República e grampeou escritório de advogados?

Nem Hegel, nem Engels, nem Marx, nem Kant.

Nada que lampeje, apenas que rasteje.

O estado policialesco quer burlar a democracia, retirar do povo, senhor da política, a própria política, num ato vil de desapropriação estatal do que ao mundo privado pertence.

A burocracia estatal, como as corporações privadas detestam política.

Basta um concurso, a “meritocracia”, muito dinheiro e tudo se resolve.

Chega de votos! Chega de decisões populares! Chega de povo!

Chega de democracia, mesmo que seja esta pálida democracia representativa, bradam os “combatentes do crime” e seus parceiros de corporações privadas, que querem decidir pelo todo, desrespeitando a lei, a jurisprudência, a doutrina e a tradição, como lhes convém.

Para não deixar parecer mentira, dias atrás, o alcaide da capital gaúcha sentenciou: “as decisões importantes não podem ser tomadas por seu João e dona Maria. Devem ser tomadas pela elite da imprensa, dos negócios e da política”.

O sincericídio atucanado deve ser criticado, mas não por ser mentiroso ao ser fiel ao que pregam, o desdém pelo povo, pela coletividade e pela democracia. Mas pela desfaçatez contumaz de quem despreza o povo.

É esta elite que privatizou o Estado para seus próprios objetivos e dos interessados de fora.

MiShell não nos deixa mentir!

Estado sempre burguês, que na incerteza da viabilidade de seus candidatos (o hipertrofiador estatal que ataca tudo que adora armas, o astro das telinhas, ou o Opus Dei de plantão) cogita o parlamentarismo, sempre uma benção para interesses da burguesia, supervalorizado pela “moral ilibada” e “alta credibilidade” do Congresso Nacional, ou a inédita e hiperveloz decisão em segunda instância sobre processo do candidato pesadelo das elites.

Uma simples comparação.

O processo da Boate Kiss que envolve 242 mortes de jovens ocorrido em janeiro de 2013, ainda se arrasta pelos escaninhos da justiça.

Já o processo do pedalinho, do sítio do amigo, do cão mordido por cobra, do barco de lata e do tríplex sem escritura avança atendendo ao clamor dos barões da mídia e da canalha empuleirada na arte arquitetônica de Oscar.

Seria devaneio cogitar o crescimento em contas no exterior com titulares brasileiros, regada a propinas, desde abril de 2016?

Ou entrega do pré-sal, retomada do trabalho escravo, aumentos semanais nos combustíveis, perdões bilionários de dívidas, pressão para votação do fim da previdência pública, congelamento de orçamento da saúde e educação por vinte anos, seriam tudo “almoço grátis’?

A mesma burocracia que desfraldou a teoria do domínio do fato para condenar sem provas alto dirigente do governo eleito, diz que esta teoria não se aplica para caso de governador emplumado.

A burocracia de sangue azul que abre processo para apurar morte de cachorro da ex-presidenta em procedimento veterinário, é a mesma que não se estimula a apurar denúncia de propinas de empresas de tv para televisionamento de competições esportivas internacionais, evidenciadas em investigações fora do país.

Diante de tudo isto, o que é a condução coercitiva de reitores de universidades públicas brasileiras, sem negação prévia das vítimas da brutalidade estatal em comparecer para depoimento?

O sonho mblista?

O desejo ardente dos censuradores da doutrinária e partidária ‘escola sem partido’?

O “cala boca” dos manda chuvas do golpe no meio acadêmico universitário para não se atreverem a denunciar o entreguismo propineiro?

Seja o que for, certamente é nada para o estado policialesco moralista que livrou esposa de bandido que movimentou contas no exterior com dinheiro de propinas porque “ela não sabia”.

Na esteira do moralismo estatal, o fundamentalismo igrejeiro de padres e pastores ensandecidos contra a arte “perversa”, “suja”, ao melhor estilo do nazifascismo, encontrando abrigo para a canalhice medieval da “cura gay”.

Aliás, tudo bastante alinhado ao moralismo anticorrupção hitleriano que glorificava servidores públicos alemães no hipertrofiado e ditatorial estado alemão, ampliado após ascensão nazista, conforme descreve no seu “Minha Luta”, entre ataques a judeus, comunistas, negros, doentes, mulheres, eslavos…

Ou não seria este um ataque massivo da alta burocracia, braço estatal de teologias medievais, contra a ciência que obriga à crítica, representada pelas universidades públicas, que resistem ao entreguismo golpista?

O embate da fé e sua imutabilidade eterna que desdenha de provas, contra a ciência que as exige e sua necessária dialética.

Não é a defesa da besta estatal que deve ser feita, mas dos trabalhadores.

A besta pica traiçoeiramente e inocula sua peçonha, por natureza, como o escorpião que cruza o rio nas costas do sapo (barbudo?).

A lição deve ser aprendida definitivamente.

“A mão que balança o berço” é do povo, que não deve proteger quem a persegue, censura e mata.

Não basta reformar o Estado burguês moralista, pirotécnico e policialesco, deve ser denunciado e superado, ou a história se repetirá, como farsa, como tragédia e como burrice.
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Fonte: Viomundo

Luís Carlos Bolzan é psicólogo.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Quanto vale um rio? - Projeto Amazônia Resiste

Por Marina Amaral e equipe da Agência Pública



Cercados por minas da Vale desde a ditadura, os Xikrin enfrentam agora a extração de níquel a 3 km da aldeia e a presença de metais pesados no Cateté

O projeto “Amazônia Resiste” é uma ampla investigação jornalística da Agência Pública sobre a resistência indígena em vários pontos da maior floresta tropical do mundo. 

A partir de vídeos, textos, fotografias, infográficos e podcasts seis equipes de reportagem retrataram o que acontece em campo no Pará e Mato Grosso – das aldeias às instâncias de poder relacionadas à realidade indígena. 

Os protagonistas desta narrativa são os índios, especialmente a resistência que exercem diante de um quadro completamente desfavorável ao seu modo de vida. 


Coordenação Geral 
Marina Amaral 
Consultoria em Antropologia 
Spensy Pimentel 
Editor de Conteúdo 
Thiago Domenici 
Coordenação Audiovisual 
Sofia Amaral 
Direção de Arte e Finalização
André Oliveira 
Produção de Conteúdo 
Jessica Mota 
Consultoria Técnica
Geraldo Floriano 
Gerente Administrativa 
Roberta Carteiro 
Repórteres 
Anna Beatriz Anjos 
Ciro Barros 
Jessica Mota 
Naira Hofmeister 
Sofia Amaral 
Tânia Caliari 
Videorrepórteres 
Ana Mendes 
Adriana Latorre 
André Oliveira
Iuri Barcelos 
José Cícero da Silva 
Imagens aéreas 
Paulo Henrique Damasceno – Fly Media
Parceiro 
Climate and Land Use Alliance (CLUA)